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Inflação, diz ela
21 Set 2023
Inflação, diz ela
Inflação, diz ela

Quantas ví­timas serão ne­ces­sá­rias para se re­co­nhecer que per­sistir na «cura» até matar o «do­ente» não é a forma mais eficaz nem mais ra­ci­onal de re­solver um pro­blema? A per­gunta é re­tó­rica, já que o Banco Cen­tral Eu­ropeu voltou a subir as taxas de juro, na­quela que é a dé­cima su­bida con­se­cu­tiva. Em pouco mais de um ano, as taxas pas­saram de -0,5% para os ac­tuais 4%, valor im­pres­si­o­nante mas que pode não ficar por aqui, como disse a res­pon­sável do BCE, Ch­ris­tine La­garde, ao ad­mitir que este podia não ser ainda o pico, e ga­ran­tindo que, mesmo sem novos au­mentos, o valor das taxas se man­terá pelo menos até final de 2025.

Sig­ni­fica isto que os tra­ba­lha­dores vão con­ti­nuar a ser fus­ti­gados por esta po­lí­tica de pseudo com­bate à in­flação, numa al­tura em que, no caso de Por­tugal, me­tade dos tra­ba­lha­dores afirma que o seu sa­lário não cobre todas as des­pesas, como re­velou a se­mana pas­sada o pri­meiro Ba­ró­metro Eu­ropeu sobre Po­breza e Pre­ca­ri­e­dade. O es­tudo, en­co­men­dado pela or­ga­ni­zação não go­ver­na­mental fran­cesa Se­cours Po­pu­laire Fran­çais, mostra que, de­vido a uma «si­tu­ação fi­nan­ceira di­fícil», 62% dos eu­ro­peus já res­trin­giram as suas vi­a­gens, 46% já de­sis­tiram de aquecer as suas casas no In­verno, 38% não fazem três re­fei­ções por dia, 39% dei­xaram de com­prar carne para poupar di­nheiro e 10% re­correm a as­so­ci­a­ções de ca­ri­dade para obter ali­mentos.

Um inqué­rito da Eu­ro­found (Fun­dação Eu­ro­peia para a Me­lhoria das Con­di­ções de Vida e de Tra­balho) dava conta, já em me­ados do ano, que cerca de 10% das fa­mí­lias por­tu­guesas re­ce­avam não con­se­guir pagar a casa onde vivem num es­paço de três meses, contra os 6% da média eu­ro­peia. Dado o ver­ti­gi­noso au­mento das taxas de juro, é de crer que as ex­pec­ta­tivas sejam hoje muito mais som­brias, tanto mais que a se­nhora La­garde per­siste no «re­mé­dio’ de fazer baixar os ren­di­mentos do tra­balho para conter a in­flação, não se can­sando de re­co­mendar aos go­vernos que cortem nos apoios às fa­mí­lias.

O facto de o BCE res­pon­sa­bi­lizar as fa­mí­lias e os au­mentos sa­la­riais pela in­flação é par­ti­cu­lar­mente cu­rioso, já que um es­tudo re­a­li­zado em Junho úl­timo por eco­no­mistas do in­sus­peito (de sim­pa­tias pelos tra­ba­lha­dores) FMI veio re­velar que, desde 2021, o au­mento dos lu­cros das em­presas está na origem de 45% da in­flação na Eu­ropa, contra 40% de­vido à su­bida dos preços das im­por­ta­ções e apenas 15% dos sa­lá­rios dos tra­ba­lha­dores.

«Para que a in­flação se en­ca­minhe em di­recção à meta de 2% es­ta­be­le­cida pelo BCE, as em­presas po­derão ter de aceitar uma par­ti­ci­pação nos lu­cros mais baixa», diz o FMI.

A senhora Lagarde e o BCE optaram por ignorar o relatório. Não admira. Afinal, esta «inflação dos vendedores», como lhe chamou a economista Isabelle Weber, é óptima para esmagar os trabalhadores.


FONTE: Avante!

 
 
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