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Seguros cortam quase oito mil empregos em 5 anos
08 Mar 2020
Seguros cortam quase oito mil empregos em 5 anos
Seguros cortam quase oito mil empregos em 5 anos

O ano de 2020 começou com um tom amargo para cerca de 100 trabalhadores da seguradora Liberty. A companhia de seguros pôs em marcha um processo de despedimento coletivo que pode levar à saída de 25 trabalhadores, no mínimo. Mas a Liberty não é caso único: nos últimos cinco anos, o setor dos seguros perdeu mais de 7700 trabalhadores, entre funcionários das seguradoras e mediadores que encerraram portas. Os números serão até superiores, já que ainda não incluem os funcionários que terão saído das seguradoras no ano passado e visto que parte dos mediadores são sociedades com mais do que um trabalhador.

No final de 2019, estavam registados 16 763 mediadores de seguros em Portugal, segundo dados da Autoridade de Supervisão de Seguros e Fundos de Pensões, citados pela Aprose - Associação Nacional de Agentes e Corretores de Seguros. Em 2014 existiam 23 465 mediadores. São menos 6700 em apenas cinco anos. Só em 2019 fecharam portas cerca de dois mil. "Antevejo a continuação da evolução negativa do número de mediadores a operar no nosso mercado, mercê da fusão de mediadores a que já vamos assistindo, timidamente, por enquanto, mas a aumentar no futuro próximo", disse David Pereira, presidente da Aprose.

Tal como aconteceu com o setor da Banca, o setor segurador enfrentou a crise financeira e o resgate do país, o que levou à venda de algumas companhias. À consolidação, que habitualmente acarreta redução de postos de trabalho, juntou-se a revolução digital que está a ser um catalisador para a transformação do setor financeiro e da economia.

Entre 2014 e 2018 - ainda não existem dados para 2019 - as seguradoras dispensaram 1020 trabalhadores, passando a empregar 10 148 funcionários, segundo a APS - Associação Portuguesa de Seguradores.

"Há constantemente saída e entrada de trabalhadores no setor", desdramatizou José Galamba de Oliveira, presidente da APS. No mesmo período, o setor teve uma quebra de 33% no volume de prémios brutos emitidos, de 4359 milhões de euros para 2940 milhões de euros. Quanto aos lucros, aumentaram mais de quatro vezes, de 77 milhões de euros para 346 milhões de euros, mas 2014 foi um ano de forte quebra do resultado líquido.

Liberty reestrutura

É já este mês que a norte-americana Liberty fecha 14 dos seus 16 escritórios no país, colocando trabalhadores em teletrabalho e transferindo ou despedindo outros, no âmbito de um plano de reestruturação do seu modelo comercial.

"O setor vai viver grandes alterações", alertou Carlos Marques, presidente do STAS - Sindicato dos Trabalhadores da Atividade Seguradora, que receia que mais seguradoras sigam este exemplo.


FONTE: JORNAL DE NOTÍCIAS

 
 
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